terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

ASACom ganha o 17º Prêmio Cristina Tavares de Jorn

A Articulação no Semi-Árido (ASA) inicia 2011 recebendo mais um prêmio. Desta vez é o 17º Cristina Tavares de Jornalismo, organizado pelo Sindicado de Jornalistas de Pernambuco. É a terceira vez que a ASA recebe este prêmio, na categoria Assessoria de Imprensa. A cerimônia de anúncio dos vencedores das 14 categorias foi realizada na noite desta quarta-feira (26), no Cabanga Iate Clube, no Recife.

A honraria foi dada ao trabalho de divulgação nacional do VII Encontro Nacional da Articulação no Semi-Árido (Enconasa), realizado em março de 2010, pelas jornalistas Gleiceani Nogueira, Viviane Brochardt e Mariana Mazza. Nas 14ª e 16ª edições do Cristina Tavares, a ASACom também foi vencedora.

Na fala de agradecimento, Viviane Brochardt, coordenadora da ASACom, ressaltou que a mudança que acontece no Semiárido atualmente é fruto da mobilização das famílias agricultoras que passam a conquistar direitos e não favores de políticos, numa referência à estrutura social e política que perpetuava a miséria e a pobreza na região, sob desculpa da problemática da seca.

“As famílias agricultoras mostram que possuem capacidade de inovação e criação de soluções para a convivência com o Semiárido. Este prêmio é dedicado à todas as famílias com as quais trabalhamos”, pronunciou, acrescentando para o público de formadores de opinião que atuam em empresas de comunicação: “Lutamos por direitos e um deles é a democratização da comunicação e isto passa por um processo de valorização e fortalecimento da comunicação popular no campo.”

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Carta de Princípios

São membros ou parceiros da ASA todas as entidades ou organizações da sociedade civil que aderem à "Declaração do Semiárido" (Recife 1999) e à presente Carta de Princípios;


1- A Articulação no Semi-Árido (ASA) é o espaço de articulação política regional da sociedade civil organizada, no Semiárido brasileiro.
2-A ASA é apartidária e sem personalidade jurídica, e rege-se por mandato próprio; respeita totalmente a individualidade e identidade de seus membros  e estimula o fortalecimento ou surgimento de outras redes de nível estadual, local ou temático, adotando o princípio de liderança compartilhada;
3-A ASA se fundamenta no compromisso com as necessidades, potencialidades e interesses das populações locais, em especial os agricultores e agricultoras familiares, baseado em: a) a conservação, uso sustentável e recomposição ambiental dos recursos naturais do Semiárido; b) a quebra do monopólio de acesso à terra, água e outros meios de produção - de forma que esses elementos,  juntos, promovam o desenvolvimento humano sustentável do Semiárido;
4-A ASA busca contribuir para a implementação de ações integradas para o semi-árido, fortalecendo inserções de natureza política, técnica e organizacional, demandadas das entidades que atuam nos níveis locais; apoia a difusão de métodos, técnicas e procedimentos que contribuam para a convivência com o Semiárido;
5-A ASA se propõe a sensibilizar a sociedade civil, os formadores de opinião e os decisores políticos para uma ação articulada em prol do desenvolvimento sustentável, dando visibilidade às potencialidades do Semiárido;
6-A ASA busca contribuir para a formulação de políticas estruturadoras para o desenvolvimento do Semiárido, bem como monitorar a execução das políticas públicas;
7-A ASA se propõe a influenciar os processos decisórios das COPs  - Conferências das Partes da Convenção de Combate à Desertificação, das Nações Unidas, para fortalecer a implementação das propostas da Sociedade Civil para o Semi- Árido, e busca articular-se aos outros Fóruns Internacionais de luta contra desertificação.

Igarassú (PE), 15 de fevereiro de 2000.
Texto Publicado originalmente ASAcom

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

ASA assina novos termos de parceria para a continuidade dos programas

Por Viviane Brochardt - ASACom
22/12/2010

A Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA) festeja a chegada de 2011 com dois novos termos de parceria assinados com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Com os contratos será possível dar continuidade às ações do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e do Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC).
O primeiro, no valor de R$26 milhões, é destinado à construção de pouco mais de 2 mil cisternas-calçadão, 78 barragens subterrâneas e 78 tanques de pedra. Esses três tipos de reservatórios são destinados à produção de alimentos. Já o segundo termo de parceria, no valor de R$90 milhões, possibilita a construção de 45,7 mil cisternas domiciliares destinadas ao consumo humano. Dessas, 4 mil serão erguidas ao lado de casas a serem construídas pelo Programa Minha Casa Minha Vida, dentro do Plano Nacional de Habitação Rural. Com essa parceria, busca-se a melhoria habitacional, saneamento e abastecimento da população rural da região.
Resultados – Para o desenvolvimento de seus dois programas, a ASA já mobilizou 577,4 milhões de reais, cerca de 80% desses recursos provenientes do governo federal. Observando os resultados já obtidos pelos programas da ASA, chega-se a outros números significativos, principalmente se analisados à luz dos impactos reais na vida das pessoas. Outro dado importante a ser considerado nessas ações é a participação de agricultoras e agricultores familiares da região em todas as etapas dos programas, desde a formulação da estratégia até a implantação das tecnologias.
A garantia da água para o consumo humano foi primordial para que essas famílias pudessem ter uma vida digna no Semiárido. Acreditando que a cisterna é um elemento fundamental nesse processo, em 2000 a ASA iniciou o P1MC, que em seu projeto-piloto construiu 501 cisternas. Em 2001, tem sequência mais uma etapa do Programa, conhecida por P1MC-T, ou Fase de Transição, quando as cisternas passam a ser construídas em larga escala com 12.743 unidades. É em junho de 2003 que o Programa Um Milhão de Cisternas é plenamente estruturado. Desde então, 1,3 milhão de pessoas de 1.076 municípios já têm água na porta de casa, com a construção 322 mil cisternas domiciliares com capacidade para 16 mil litros. Nesse ano de 2010, o Programa ampliou seu raio de ação passando a atuar também nas comunidades escolares, com a construção de 842 cisternas de 52 mil litros erguidas nas unidades municipais de ensino.
No Semiárido, ter acesso à água também para produzir alimentos é outro desafio. Por isso, a ASA iniciou em 2007 o P1+2. Esse Programa já construiu 6.937 tecnologias sociais para armazenar de água de chuva, sendo 6.293 cisternas-calçadão, 385 barragens subterrâneas, 258 tanques de pedra. Além desses reservatórios, o Programa também instalou 208 bombas d’água populares que possibilitam a extração de água em poços tubulares já existentes na região. Com esses equipamentos, 51.250 pessoas foram beneficiadas com água para plantar e para criar seus animais, promovendo a segurança alimentar no Semiárido.
O P1+2 também realizou 6.225 visitas de intercâmbios entre agricultores e agricultoras e sistematizou 634 experiências desenvolvidas pelos camponeses e camponesas da região. Esses registros foram publicados em boletins, somando 63.400 exemplares. Tanto o intercâmbio quanto a sistematização valorizam o conhecimento popular e a troca horizontal de saberes, configurando-se importantes instrumentos pedagógicos voltados para o fortalecimento da agricultura familiar e camponesa e para a convivência com o Semiárido. 
 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Convivência com o Semiário avançou no Governo Lula



Por Gleiceani Nogueira e Mariana Mazza – ASACom
22/12/2010

Durante os dois mandatos do presidente Lula, entre 2003 e 2010, muitas mudanças aconteceram com relação às políticas públicas voltadas para o Semiárido. Parte dessas mudanças se deu a partir de parcerias que foram firmadas entre o governo e a sociedade civil, como a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA). Em entrevista concedida à Assessoria de Comunicação da ASA (ASACom), o coordenador executivo da Articulação, Naidison Baptista, avalia as conquistas desse período e fala sobre as expectativas de continuação de parcerias com o governo da presidente eleita Dilma Rousseff.

ASACom - Qual o significado dos oito anos do governo Lula para o Semiárido e para o fortalecimento da sociedade civil?

Naidison - As duas gestões de Lula tiveram um significado grande para a implementação do processo de convivência com o Semiárido. Não é que esse processo tenha sido a opção única do governo, que girou ao redor do combate à seca, com grandes obras como a transposição do Rio São Francisco e outras práticas, mas ao mesmo tempo trabalhou com elementos de convivência com o Semiárido. Nós notamos, nas duas gestões, o conflito entre essas duas concepções de tratar a região, mas é evidente que tivemos grandes resultados na construção da perspectiva da convivência a partir de algumas ações estratégicas.
Uma ação é o próprio P1MC [Programa Um Milhão de Cisternas]. À medida que trabalhamos o Programa e ao final da gestão temos mais de 320 mil cisternas implantadas, isso significa a maior estrutura hídrica de repartição da água jamais construída no País, e estruturada a partir da prática das pessoas, das comunidades, das tecnologias de resistência. Nós trabalhamos hoje com milhões de litros de água partilhados, ao invés de milhões de litros de água concentrados como era a proposta e a prática política do combate à seca.
Ao lado disso, a gente tem outra estratégia muito forte que é o P1+2 [Programa Uma Terra e Duas Águas]. O Programa agora trabalha a água para produção, dessedentação animal, para os quintais produtivos, para a agroecologia, a diversificação da produção. Já é uma matriz complementar à da cisterna. Essas estratégicas são duas linhas fundamentais de segurança alimentar, de convivência com o Semiárido e, portanto, de construção e implementação de um novo modo de ver a região. Mas nós poderíamos ver ainda outros exemplos. Se não conseguimos grandes resultados, já iniciamos processos de assistência técnica adequada ao Semiárido. Tivemos pela Rede ATER Nordeste vários projetos de assistência técnica e recentemente saiu um edital de assistência técnica na perspectiva da convivência com o Semiárido. É uma coisa que foi construída pouco a pouco e é também inédito que a gente tenha uma assistência técnica paga oficialmente pelo estado, que tenha o carimbo da convivência. Nós podemos citar o PAA, o Programa de Aquisição de Alimentos que também teve um papel histórico e fundamental, na medida em que abre a perspectiva da comercialização dos produtos das agricultoras e dos agricultores do Semiárido. Abre perspectivas inclusive da comercialização de produtos específicos da região, como o umbu, e fortalece as organizações da sociedade civil. A gente pode citar outros elementos, como o PNAE [Programa Nacional de Alimentação Escolar] que abre também uma perspectiva forte e significativa de venda de produtos do Semiárido para a alimentação das crianças das escolas. Não podemos esquecer elementos como a educação contextualizada. Ela não se firmou ainda como um processo mais forte de educação, mas está explodindo em vários espaços, o que significa que o conteúdo do Semiárido está penetrando nas escolas. Ultimamente acho que a experiência que a ASA está fazendo das cisternas nas escolas abre uma perspectiva inclusive para que outros ministérios já comecem a financiar outros processos. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação já abriu editais no sentido de que as escolas se candidatem a captar recursos para a construção de cisternas para as escolas. Nós abrimos outro espaço, outra perspectiva de convivência com o Semiárido. Aí não se trata apenas de construir as cisternas, mas a partir dos dados dos elementos da cisterna, debater e trabalhar a educação contextualizada nas escolas. Podemos ainda nos referir às questões de bancos de sementes, à economia solidária. A ASA esteve presente em várias dimensões da economia solidária, e nós demos a chamada de projetos que saíram nessa perspectiva, que mesmo pelo Banco do Nordeste ou por outros bancos financiadores, tem a cara da convivência com o Semiárido. Claro que isso tudo não é doação de um governo, é uma conquista da sociedade civil organizada. Foi ela que se organizou para construir essa proposta, para pautar o governo e é ela que se organiza para executar boa parte dessas políticas. Não podemos deixar de ressaltar os quatro EnconASAs que foram realizados durante as duas gestões do governo Lula, todos eles trataram de aspectos importantes para o Semiárido e que, nos seus processos de preparação e realização envolveram centenas de pessoas. Foram eventos bonitos, significativos, politicamente fortes e que contaram sempre com a participação do governo, seja estando ao nosso lado durante o evento, seja bancando parte significativa do mesmo. É tudo o que a gente queria? Não, está muito longe! As sementes da convivência começam a dar frutos, mas elas ainda são poucas e pequenas em relação à grande necessidade de convivência que nós temos no Semiárido. Mas sem dúvida nenhuma, são resultados muito positivos.

convivência com o Semiárido e fortalecimento da sociedade civil?

Naidison - Se a gente olha o futuro, podemos ver dois vieses.  Um é que avaliamos que o governo Dilma de certa maneira vai ser uma continuidade das conquistas, dos processos que foram construídos no governo Lula. Não tem nenhum sentido a gente olhar todo esse processo eleitoral, todo envolvimento que houve, se esse novo governo não sinalizar e não se comprometer com perspectivas de continuidade e, mais do que isso, de ampliação e de melhoria de qualidade desse tipo de intervenção.
A expectativa é que o governo Dilma possa avaliar o que foi realizado no governo Lula, com as peculiaridades próprias, mas a partir disso possa pegar os elementos que foram significativos do PAA, de cisternas, do Bolsa Família, de todos esses programas e possa qualificá-los e ampliá-los. Esse á a nossa expectativa. Um segundo viés é que nada disso virá de graça! Não podemos, enquanto sociedade civil, nos dar ao luxo de pensar que já está conquistado e que vai caminhar.
Não é assim! Nós temos que continuar sistematizando nossas práticas, identificando novas pistas de ação, quais são as melhorias que queremos para os programas, que novos programas nós queremos... Esse conjunto de elementos é importante para que nós, as organizações da sociedade civil articuladas na ASA ou em outras redes, possamos dizer nossa palavra, ocupar os espaços que temos para dizer essas palavras e para focar essas melhorias. Quais são esses espaços? As comissões, os grupos de elaboração de projetos, os cursos, os conselhos, são os espaços variados de análise, de controle social, de proposição e de debate das políticas.
No caso da ASA, para o processo de convivência com o Semiárido, nós tivemos três conselhos chaves: o Conselho da Economia Solidária, o Consea e o Condraf. No Conselho da Economia Solidária, a ASA está muito presente, pautando elementos dentro do Conselho e mudando questões. Por exemplo, hoje nós já temos projetos que admitem o fundo rotativo, no início não admitiam de jeito nenhum. Significa que estamos construindo uma abertura. Com relação ao Consea, na II Conferência de Segurança Alimentar E Nutricional, que foi a primeira do governo Lula, nós tivemos uma dificuldade de garantir que a expressão “água para consumo humano captada da chuva” ingressasse no texto inicial. Hoje é o contrário, já nos chamam para elaborar o texto juntos. Isso é uma conquista das práticas da ASA. O P1MC e o P1+2 são colocados como os programas que são as “meninas dos olhos” do Consea, o que significa um processo de conquista a partir da atuação da ASA dentro do Consea.
O outro é o Condraf. A ASA sempre teve pessoas representativas significativas nesses três conselhos a nível nacional, mas não podemos perder de vista também os Conseas estaduais, os conselhos de desenvolvimento estaduais, os debates sobre combate à desertificação, e outros espaços onde, se nós estivermos presentes, vamos forçando que a caminhada de convivência com o Semiárido se aprofunde e se concretize mais.

ASACom- Como a ASA avalia a indicação e a possível mudança de pessoas que estão em cargos importantes de ministérios e órgãos governamentais que dialogam diretamente com as políticas públicas para o Semiárido?

Naidison - A ASA avaliou a importância, a partir da análise do desempenho de determinadas pessoas, de apresentar nomes ao governo. Nós fizemos isso com Edson Dias para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, Márcia Lopes para o MDS [Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome] e Silvio Porto para a Conab. Nós avaliamos que seriam três nomes significativos para os trabalhos daqueles ministérios e para o Semiárido, não para a ASA. Se a presidente nomeia ou não é uma questão dela. Nós temos, enquanto sociedade, que fazer pressão. Mas seja lá quem vier, não vamos deixar de disputar nosso espaço. Já construímos a leitura das cisternas e da convivência com o Semiárido com três ministros e quatro secretários de Segurança Alimentar, e com três presidentes do Consea Nacional, no próprio governo Lula. Fomos gradativamente ocupando os espaços a partir do respeito que a ação da ASA garante para a própria ASA e para o Semiárido. Essa é a nossa leitura e vamos continuar a fazer isso. Acho que continuaremos a ter sucesso.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Feira do Semiárido cresce em importância e reúne novos parceiros

Dona Miralva, Poço Comprido, Vitória da Conquista.Beneficiária dos Projetos da ASA
Foto do Arquivo do CEDASB.
A relevância das discussões acerca de desafios e sustentabilidade da região fez com que a 7ª Feira do Semi-Árido ganhasse novos parceiros e que fosse organizado evento paralelo de importância para as diversas comunidades baianas envolvidas. Neste sentido, Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, a Secretaria de Planejamento da Bahia (Seplan), Governo do Estado e Petrobrás convidam a comunidade para a realização da Feira e do Fórum Baiano de Desenvolvimento no Semi-Árido, no período de 15 a 17 de dezembro no campus.
   Este ano a Feira vai abordar o tema Saberes e Fazeres do Semi-Árido Contemporâneo.   Como nas edições anteriores, é esperada a participação de centenas de pessoas de diversos municípios baianos. O objetivo é discutir os problemas dessa sub-região do Nordeste, com a identificação de desafios e as potencialidades regionais, observando a capacidade do povo para oferecer produtos e idéias que refletem tanto a convivência quanto os caminhos do desenvolvimento regional.
   Estão previstos minicursos, palestras, oficinas, roda de prosa, relatos de experiências, exposições, estandes, lançamentos de livros e atividades culturais.
   O evento pretende aprofundar a discussão na tentativa de compreender as diferentes “maneiras de fazer”, desenvolvidas pelas pessoas que convivem no semi-árido para superar os problemas impostos pelas questões socioambientais e socioculturais.
   Este ano será realizado em paralelo mais dois eventos, o Fórum Baiano de Desenvolvimento e Territorialidade no Semi-árido e o 3º Seminário de Mulheres Rurais.
   Participam do evento representantes de municípios do semi-árido e entidades parceiras, como IMA, EBDA, Acup, Associação Mariense de Apicultores (Amapi), Associação de Artesãs do Papagaio, Associação de Produtores Orgânicos, Cesol Portal do Sertão, Catrufs, Grupo Tecer Arte, Umbigo – Grupo de Mulheres Permacultoras.
   O Fórum de Desenvolvimento é organizado através das articulações da Sedir, Seplan, Seagri, Sect e Serin com a Uefs, UFRB, BNB, Petrobrás, Desenbahia, CET, Fórum Baiano de Agricultura Familiar, ASA e Fetraf-BA. O Fórum será desenvolvido nos dias 15 e 16 de dezembro.

Informações podem ser obtidas através do telefone da Pró-reitoria de Extensão – 3224-8026/ 3224-8154 ou acessando o site do evento  http://www.uefs.br/feiradosemiarido

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Carta de Dilma às Organizações da Sociedade Civil

Carta às Organizações da Sociedade Civil

Minhas amigas e meus amigos,
Recebi o documento “Plataforma por um novo marco regulatório para as Organizações da Sociedade Civil”, assinado por um grande número de instituições, fóruns, redes e grupos organizados da Sociedade Civil.
Manifesto minha satisfação diante da oportunidade de tratarmos de questão tão importante para a sociedade brasileira, numa perspectiva de aprofundamento das relações e da criação de condições mais adequadas para as parcerias imprescindíveis junto às três esferas de governo, o que requer o correspondente fortalecimento institucional e político das organizações da sociedade civil.
O compromisso com a democracia implica no estabelecimento de relações entre o Estado brasileiro e a sociedade civil organizada pautadas no respeito à autonomia, na liberdade de expressão e organização da sociedade, na transparência, na probidade e integridade no tratamento do interesse público.
Também há que se reconhecer como este governo fez diferente no sentido da superação da cultura e da convivência clientelista, pautando-se por uma relação democrática, respeitosa e transparente com as organizações da sociedade civil, compreendendo seu papel fundamental na construção, gestão, execução e controle social das políticas públicas.
Tivemos a oportunidade de encontrar, no nosso governo, muitos parceiros em cada canto do Brasil, que se dispuseram a realizar, conjuntamente, ações e objetivos assegurando dignidade, acesso aos direitos e necessidades fundamentais da população em áreas como segurança alimentar e nutricional, geração de renda e inclusão produtiva, entre outras.
Alcançamos um lugar qualificado, compreendendo o papel do Estado como garantidor e afiançador dos direitos de cidadania, nos termos da nossa Constituição, acolhendo as iniciativas da sociedade e seu papel, sobretudo, no fortalecimento da democracia, na defesa de direitos e do controle social.
A “Plataforma por um novo marco regulatório para as Organizações da Sociedade Civil”, que li atentamente, nos propõe uma relação jurídica mais adequada entre o Estado e as OSCs, reconhecendo que, para cumprirem suas funções, as entidades devem ser fortalecidas sem que isso signifique reduzir a responsabilidade governamental, em um ambiente regulatório estável e sadio.
Compartilho com vocês este mesmo entendimento e afirmo a disposição de, no nosso governo, aprofundar e estreitar as relações em torno de compromissos e projetos, balizados em políticas públicas que considerem as experiências e as realidades regionais.
Nesse sentido, assumo o compromisso, se tiver a honra de ser eleita Presidente, de constituir um Grupo de Trabalho, composto por representações das OSCs e do governo, que possam expressar a diversidade de temas e interesses na esfera pública, sob liderança da Secretaria Geral da Presidência da República, com o objetivo de elaborar, com a maior brevidade possível,no prazo máximo de um ano, uma proposta de legislação que atenda de forma ampla e responsável, as necessidades de aperfeiçoamento que se impõem, para seguirmos avançando em consonância com o projeto de desenvolvimento para o Brasil, o combate à desigualdade social e o interesse público. 
Um grande abraço, da amiga e companheira,

Dilma Rousseff
Para mais informações sobre o programa de governo entre em contato, programagoverno@dilma13.com.br


Fonte: ASAcom e CAA 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

"A ASA torna as pessoas que são geralmente ouvintes em sujeitos do processo de comunicação"

Naidison Baptista- Coordenador Executivo da ASA
Foto de André Teles

Na semana do Encontro Nacional de Comunicação da ASA, o boletim informativo da Rede, o Compartilhando Ideias, chega a sua 100ª edição. Para celebrar a marca, entrevistamos o coordenador executivo da ASA pelo estado da Bahia, Naidison Quintella. Na conversa por telefone, Naidison falou dos aprendizados da rede na construção de seu processo de comunicação, avaliou os impactos das ações de comunicação da ASA na garantia do direito à comunicação e deixou suas expectativas do Encontro Nacional, que começa nesta quarta e se estende até sexta-feira. Confiram!
ASACom - Qual a importância da comunicação na rede ASA?


Naidison – A ASA está sendo capaz de trabalhar um aspecto multifacetado da comunicação. Não trabalhamos apenas uma linha e sim linhas diferenciadas, múltiplas, com muitos aspectos que se complementam e se enriquecem. Esta é a característica específica e inovadora da comunicação na ASA. O processo de comunicação para a rede tem sido muito importante e significativo no sentido de dinamizar internamente as relações entre as organizações e pautar os meios de comunicação social e outros espaços sobre a convivência com o Semiárido.
ASACom – A ASA também tem lançado mão da comunicação como uma estratégia educativa. Gostaria que o senhor falasse um pouco desta dimensão da comunicação na Rede.


Naidison – Neste sentido, comunicação é efetivamente um processo pedagógico-político dentro da ASA. Queremos despertar os agricultores e agricultoras para a dimensão de que podem, sabem e têm condições de produzir conhecimento. A ASA tem essa marca. A ASA não é uma rede que repassa tecnologia para pessoas que não têm conhecimento, não produzem conhecimento. A nossa concepção é o contrário. Os agricultores e agricultoras produzem conhecimento, têm conhecimento e tanto fazem isso que, apesar de todos os massacres, estão vivos e vivas. 

Os boletins [das experiências dos agricultores] partem desta concepção e estimulam a comunicação, fazendo com que o comunicador seja capaz de assessorar o agricultor, a agricultora, na sistematização de sua experiência.
Uma vez sistematizada, a experiência se torna objeto de debate, conversa, intercâmbios com outros agricultores e outras agricultoras na perspectiva de ampliar a linha das ações e das experiências.
A experiência sistematizada também abre a perspectiva de se transformar em política [pública]. O P1MC e o P1+2 estão se transformando em política porque foram muito bem sistematizados e se pode debater com o poder público para dizer que queremos isto, com esta metodologia, com este custo e este resultado. Com isto, a ASA se torna capaz de interferir em políticas públicas.

ASACom – Olhando para a trajetória da comunicação da ASA, qual o maior aprendizado que a rede acumulou?


Naidison – Acompanhei a comunicação desde o início, quando a gente tinha dificuldade de identificar qual era a estrada do processo. Houve tentativas de se ter um processo nacionalmente e regionalmente construído dentro de determinadas normas. Só quando a gente se libertou desta dimensão é que fomos capazes de caminhar com mais liberdade. Eu acho que o que nós temos que celebrar agora são as várias dimensões.

Primeiro a dimensão das organizações que já incorporavam [a comunicação] e melhoraram e se qualificaram mais os processos de comunicação a partir de sua presença na ASA. Temos na Bahia o MOC, organizações em Juazeiro, o SASOP, o Sabiá, o CAA que tinham dimensões de comunicação e incorporaram novas perspectivas.
O que temos que celebrar é que, em respeito à autonomia destas organizações, a ASA soube inserir novos elementos, beber destas organizações novas experiências e a partir daí que o processo cresceu. Num cresceu como um processo controlado a partir do Recife. Essa não é a nossa função. Mas a partir de um processo onde a perspectiva de comunicação da ASA oferece elementos às organizações que pertencem à ASA.
A outra dimensão foi o crescendo gradativo na produção dos nossos materiais. A ASA é conhecida pela qualidade técnica e de conteúdo político-pedagógico dos nossos materiais que são solicitados por outras organizações para que possam utilizar em capacitações, eventos, encontros. E nós temos, deixando marcada a nossa autoria, cedido para grupos e mais grupos.
Tem sido um material rico nas mais variadas temáticas: de como tratar a cisterna, convivência ampla com o Semiárido, textos mais aprofundados, materiais de qualidade de como trabalhar a cisterna nas escolas. É uma gama variada de materiais, a maioria deles dirigidos aos agricultores e agricultoras ou aos próprios animadores. Neste sentido, nós trabalhamos muito e crescemos em oferecer subsídios para as pessoas que trabalham conosco.
Uma terceira coisa que fomos descobrindo gradativamente é o espaço de falar pra fora. A ASACom desempenha um papel importante porque ela mapeia os espaços, mapeia os problemas que estão por emergir para que a gente possa tomar posição com relação a isso.

ASACom - Começa nesta quarta-feira o Encontro Nacional de Comunicação. Quais são as suas expectativas para este encontro de comunicadores e comunicadoras da Rede?


Naidison - O Encontro de Comunicação é basicamente um momento para curtir o que está aparecendo nos vários espaços e com isso melhorar e qualificar a nossa atuação. Não é um encontro onde os consultores vão dizer o que é comunicação, como se faz. Nós vamos ser capazes de beber das experiências, perceber como isto é feito, como isto se desenvolve. E a partir daí publicizar mais essas experiências e aprender com elas.
ASACom – No Semiárido, os meios de comunicação - TVs, rádios, jornais - assim como a terra e a água, também estão concentrados nas mãos de políticos e empresários da região. Nesse contexto, o senhor acha que o trabalho de comunicação da ASA contribui de alguma forma para romper com essa estrutura?


Naidison – Eu acho que tem contribuído muito na medida em que pautamos com perspectiva diferente o conteúdo destas mesmas redes de comunicação. Quando nós fizemos uma ampla campanha em nível nacional, quando nós pautamos TVs, jornais, revistas, etc e elas começam a colocar o conteúdo da convivência com o Semiárido e não apenas o conteúdo do combate à seca, nós ganhamos um espaço imenso. E esse espaço é o da democratização da comunicação.

Não nos foi dado este espaço. Nós conquistamos pela qualidade de nossa ação e qualidade de nossa interferência em termos de comunicação. 
Eu acho que isso é um ganho imenso, naturalmente com seus limites porque nem sempre conseguimos pautar e colocar aquelas coisas que gostaríamos. Mas se olharmos há 10 anos e hoje, o significado disso é muito grande. Se olharmos a imagem do P1MC e da ASA, veremos que é respeitada nos vários níveis de comunicação. Isso é uma conquista forte, significativa.
Há um outro nível, onde a gente vai roendo a corda em pedacinhos menores, que são os processos que a gente cria internamente e estão espalhados em todo o Semiárido. Vamos pensar no que significa os programas de rádio que tematizam o Semiárido e as perspectivas de convivência com a região de modo bom e bonito. Estes programas vão para todas as organizações e elas utilizam ou em rádios comunitárias – que são experiências de reagir aos monopólios da comunicação – ou nos programas das organizações que algumas delas têm em rádios comerciais, ou vão para outras rádios que recebem e reproduzem [os programas]. São espaços que também conquistamos.
Internamente, a multiplicidade de boletins, de conteúdos sobre a convivência no Semiárido que são veiculados é uma quantidade imensa com a qualidade que nos é peculiar. [Esse material] chega aos agricultores, agricultoras, na ponta, e cria autoestima, entusiasma as pessoas, faz com que se sintam produtoras de conhecimento. Ela inverte a lógica do processo de comunicação. Torna as pessoas que são geralmente ouvintes em sujeitos do processo de comunicação. E essa é uma dimensão impressionante na perspectiva da democratização da comunicação.


Verônica Pragana e Gleiceani Nogueira - ASACom
30/11/2010

Fonte: ASAcom

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

ASA está entre os vencedores da 16º edição do Prêmio Direitos Humanos

A Secretaria de Direitos Humanos, da Presidência da República (SDH/PR), divulgou na última sexta-feira (19) a relação dos vencedores do 16º Prêmio Direitos Humanos, evento que é realizado anualmente. Um dos vencedores é a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), na categoria Enfrentamento à Pobreza. A entrega do prêmio será realizada no dia 13 de dezembro, em Brasília - DF, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Paulo Vannuchi. O prêmio é a mais alta condecoração do Governo Brasileiro a pessoas e entidades que se destacam na defesa e promoção dos direitos humanos, bem como no enfrentamento e combate às violações.

"Para a ASA é uma honra receber tal prêmio. É um reconhecimento público do trabalho que a gente vem fazendo para mostrar que o semiárido brasileiro é viável; que seu povo é capaz, forte, inteligente, inovador; que a sociedade civil é capaz de propor e gerir políticas públicas, a exemplo dos programas Um Milhão de Cisternas e Uma terra e Duas Águas, desenvolvidos pela ASA", comemora Naidison Baptista, coordenador da ASA.

"Hoje, a rede, junto com seus parceiros, especialmente o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e o governo federal, através do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), mostra que com políticas públicas adequadas é possível enfrentar a fome, a miséria e a pobreza", avalia. "Nós ficamos felizes por esse prêmio e mais ainda por ser na categoria Enfrentamento à Pobreza", conclui.
Nos últimos anos, a ASA tem conquistado inúmeros prêmios, entre eles o Prêmio Sementes, da Organização das Nações Unidas (ONU); o Prêmio da Agência Nacional de Águas (ANA); o Prêmio Josué de Castro, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS); o Prêmio da Fundação Nacional de Saúde (Funasa); e o Prêmio ODM - Objetivos para o Desenvolvimento do Milênio.

Fonte: Com informações da SDH/PR e ASA