quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Organizações da ASA se mobilizam numa ação coletiva

Desde o início de novembro, todas as organizações da ASA estão mobilizadas na campanha Cisternas de Plástico/PVC – Somos Contra! Para intensificar essa ação, atingindo um maior número de adeptos, a coordenação executiva da ASA elaborou um documento dirigido a toda rede, destacando a importância de uma atuação conjunta, apontando ações para serem desencadeadas em cada território e/ou município, além de disponibilizar os instrumentos já criados, como o panfleto e os spots de rádio.
Para reforçar a campanha, o documento também sugere que cada organização mobilize, pelo menos, uma rádio, no dia 15 de dezembro, para falar sobre os benefícios das cisternas de placas e explicar porque a ASA é contra as cisternas de plástico. “Precisamos garantir uma ação conjunta, para que a campanha tenha um maior impacto. Por isso a ideia de ocuparmos as rádios num mesmo dia. O rádio é um excelente meio de comunicação de massa, que chega tanto nas áreas urbanas, como nas áreas rurais, que é o foco do nosso trabalho”, explica a coordenadora da Assessoria de Comunicação da ASA, Fernanda Cruz, uma das articuladoras da campanha.
Ela ainda explica que a campanha não se encerra no dia 15 de dezembro, mas que essa é uma data para marcar a campanha, que continuará sendo feita por tempo indeterminado. “Do dia 1º ao dia 15 faremos um trabalho específico para mobilizar as organizações de forma que elas também participem ativamente da campanha. Após esse período, a equipe de comunicadores da ASA continuará fazendo a divulgação das informações no portal da Articulação, blogs das ASAs estaduais, sites das organizações da rede e também nas redes sociais, como temos feito até então”.
Clique aqui para ler o documento.

Asacom
Recife - PE
30/11/2011

ASA responde à matéria do Blog sobre Programa 1 Milhão de Cisternas



Em resposta à matéria publicada no dia 17 de outubro, na página http://www.blogdabronte.com.br/ver_noticia.php?id=2292, a ASA afirma que:

A Articulação no Semi-Árido (ASA) é uma rede formada por cerca de três mil organizações da sociedade civil, que atuam em prol do desenvolvimento social, econômico, político e cultural do Semiárido brasileiro, em 1999.

A missão da ASA é fortalecer a sociedade civil na construção de processos participativos para o desenvolvimento sustentável de convivência com o Semiárido, referenciados em valores culturais e de justiça social.

Em 2002, foi criada uma pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, de caráter beneficente, educacional, ambiental e filantrópico constituída sob a forma de sociedade civil, com sede e foro na cidade de Recife, estado de Pernambuco: a Associação Programa Um Milhão de Cisternas (AP1MC). O objetivo dessa Oscip é gerenciar o Programa de Formação e Mobilização Social para Convivência com o
Semiárido: Um Milhão de Cisternas (P1MC) e Uma Terra e Duas Águas (P1+2),

Há oito anos a AP1MC tem sua sede na Rua Nicarágua,111- Espinheiro, local alugado, pois não temos recursos próprios suficientes para a aquisição de sede própria. Isso não
significa que não tenhamos endereço fixo reconhecido e legalizado. Não somos entidade fantasma.

Preocupa-nos a forma como a matéria induz o leitor a acreditar que a AP1MC é uma Oscip de fachada e que os recursos por ela recebidos são destinados à sua própria
benesse. Uma simples apuração no site da ASA - www.asabrasil.org.br – teria garantido à jornalista um melhor entendimento do que é a ASA e a AP1MC, bem como ficaria claro para onde os recursos são destinados.

A ação da ASA nunca esteve e não está atrelada a governos ou partidos políticos. Há anos, a sociedade civil organizada vem lutando pela garantia do direito à água para consumo humano e produção de alimentos no Semiárido, valorizando a agricultura familiar, o conhecimento popular e construindo a convivência com o Semiárido. Foi nessa linha e por acreditar que o papel da sociedade civil consiste em propor, fazer o
controle social e executar políticas que a ASA propôs, em 2003, uma parceria com o Governo Federal.

A proposta da ASA, encampada pelo Governo Federal através do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), vem se desenvolvendo, ao longo dos anos, e contribuindo para a formação de políticas públicas para o Semiárido, que vem sendo executadas tanto pela AP1MC, como pelos estados e municípios. Um exemplo disso é a recente decisão da presidenta Dilma Rousseff de universalizar as cisternas no Semiárido, como reconhecimento da importância dessa ação para que as famílias rurais
tenham acesso à água de qualidade, direito que vem sendo defendido pela ASA desde o seu surgimento.

Atualmente, a AP1MC é apoiada em suas ações não só pelo Governo Federal, mas também por empresas, pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Cooperação Internacional e doações pessoais.

Todo o recurso recebido pela AP1MC é destinado às famílias do Semiárido, através de tecnologias sociais populares para captar e guardar água da chuva. Esse recurso, graças
à administração responsável e transparente das organizações que fazem a ASA, juntamente com a AP1MC, foi responsável por fazer uma verdadeira revolução no Semiárido. Hoje, já são quase 400 mil famílias com cisternas ao lado de casa, com água de qualidade para beber e cozinhar. São mais de 10 mil famílias com acesso à água para produzir alimentos, garantindo fartura na mesa e, muitas vezes, uma renda extra com a venda do excedente.

Devemos grande parte do sucesso do nosso trabalho à transparência, seja nas ações em campo, como no gerenciamento dos recursos. Além dos nossos próprios instrumentos de controle interno, periodicamente, nossas contas são analisadas pelos órgãos de fiscalização e controle, a exemplo da Coordenadoria Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU). Nunca fomos acusados de desvios de recursos.

Pelo contrário, o modelo de gestão de recursos da AP1MC tem servido de exemplo para diversos espaços, inclusive para outros países.

Para finalizar, gostaríamos de convidar a colaboradora do blog em Recife, Noelia Brito, para nos fazer uma visita e conhecer as ações da ASA de perto e, aí sim, contribuir com
informações que possam gerar uma matéria que cumpra seu papel de informar os leitores de forma ética e imparcial.

Naidison de Quintella Baptista
Presidente da AP1MC

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

O CEDASB realiza Encontro Microrregional

O Centro de Convivência e Desenvolvimento Agroecologico  do Sudoeste da Bahia (CEDASB), realizou nos dias 20 e 21 de outubro de 2011, em Vitória da Conquista- BA, o Encontro Microrregional com o tema :”Agricultura Camponesa combatendo o veneno pela raiz” com a participação de agricultores, representantes de sindicatos, associações, Igrejas, comissões municipais, famílias beneficiárias,diretoria e a equipe técnica  do CEDASB, além de representantes da Associação Divina Providência (Brumado), Caritas de Rui Barbosa  (Rui Barbosa ) ,Centro de Agroecologia no semi-árido (CASA) ,do projeto Gente de Valor (CAR), do MPA, MST,EBDA,INCRA e SEDES.

Com tema central Agricultura Camponesa combatendo o veneno pela raiz, o evento discutiu temas como ASA(A atual conjuntura regional ,estatudal e nacional ), anánalise dos projetos execultados pelo CEDASB e Políticas públicas de desenvolvimento sustentável do camponês .Também foram realizadas oficinas sobre os temas Sistema camponês de produção,Técnologias Sociais para convivência com o semiárido brasileiro,O papel da comissão municipal , Segurança alimentar e Nutricional (SAN) . Houve ainda apresentação do Filme “o veneno esta na mesa”,filme relacionado a campanha nacional contra o uso dos agrotóxicos .A campanha pretende abrir um debate com a população sobre a falta de fiscalização, uso, consumo e venda de agrotóxicos, a contaminação dos solos e das águas e denunciar os impactos dos venenos na saúde dos trabalhadores, das comunidades rurais e dos consumidores nas cidades.Ouve também depoimentos das famílias beneficiadas,dos monitores de GRH e dos nossos parceiros.A noite cultural foi animada pelo grupo Guardiões do Forró do município de poções da Fazenda pimenteira.
O encontro foi uma oportunidade para discutir questões de grande importância para o Semiárido, avaliando o trabalho desenvolvido nos 15 municípios em que o CEDASB atua.

Cássia, da comunidade de Matansa secretaria da Comissão municipal de Tremedal disse: Foi um a oportunidade única  participar deste evento e , foi muito bom atingiu as minhas expectativa.Toda a metodologia que foi passada falando sobre a questão dos agrotóxicos e o desenvolvimento de  políticas publicas ,tudo isso foi uma formação,mais conhecimento.E foi maravilhoso o encontro do inicio ao fim.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Belezas do Semiárido

 


 


Encruzilhada, comunidade Serra. arquivo do CEDASB foto de Roberto.

arquivo do CEDASB

Foto arquivo do CEDASB, Lagoa da Pedra, Mirante. 

Foto arquivo do CEDASB, Eduarda Tamires.

Intercâmbio de Experiências realizado pelo CEDASB projeto Aguadas parceria com INGÁ, realizado na comunidade de Poço Comprido II.



Agricultora beneficiária dos projetos do CEDASB/ASA. Vitória da Conquista, Poço Comprido I.

Agricultor beneficiário dos Projetos do CEDASB, morador da comunidade de Poço Comprido II, Vitória da Conquista.  Representando a sociedade civil em uma grande conquista.

BAP, instalada pelo CEDASB em Anagé, comunidade Capão.


Comunidade Brejos, Anagé foto de Renato Evangelista.
Arquivo do CEDASB.
Produção de Canteiros de Hortas da Cisterna de Produção. Vereda Nova, Planalto. Foto de Getúlio.
Arquivo  do CEDASB.



Bruaca, Mala de couro cru, para levar em viagem a cavalo e Milhos.Vitória da Conqusita, Poço Comprido I. Foto de Eduarda Tamires. Aquivo do CEDASB.


Arquivo do CEDASB.
Limpeza de Aguadas. Bom Jesus da Serra. Foto Arquivo do CEDASB.


Barreiro Trincheira. Projeto Aguadas.

Semente de Coentro, canteiro de hortas cisterna de produção. Vitória da Conquista. Poço comprido I.
  
Criação de Cabras. Manoel Vitorino. Projeto Aguadas.



Manoel Vitorino

Foto para reforma e ampliação de telhado. Vitória da Conquista. Arquivo do CEDASB. Foto de Claudinei Rodrigues
Parceria que dá certo! CEDASB e Agricultores. Horta feita por beneficiário do Barreiro Trincheira em Manoel Vitorino. Foto Arquivo do CEDASB
Agricultor e seu filho. Beneficiários do Barreiro Trincheira, Projeto Aguadas/CEDASB. Manoel Vitorino.                              Arquivo do CEDASB Derisvaldo Mendes.

GRH em Pau-Brasil, Barra do Choça
Arquivo do CEDASB Geremilson Sousa.

Barreiro Trincheira, Assentamento Pátria Livre, Barra do Choça.
Arquivo CEDASB Terêncio Vieira.
Arquivo do CEDASB. Derisvaldo Mendes.


 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A quem serve a transposição das águas do São Francisco?

"O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a elevação da escarpa sul da Chapada do Araripe - com grande gasto de energia!-, a transposição acabe por significar apenas um canal tímido de água, de duvidosa validade econômica e interesse social, de grande custo, e que acabaria, sobretudo, por movimentar o mercado especulativo, da terra e da política", escreve Aziz Ab´Sáber, geógrafo, professor e escritor, em artigo publicado pela Agência Envolverde. Segundo ele, "no fim, tudo apareceria como o movimento geral de transformar todo o espaço em mercadoria".
É compreensível que em um país de dimensões tão grandiosas, no contexto da tropicalidade, surjam muitas ideias e propostas incompletas para atenuar ou procurar resolver problemas de regiões críticas. Entretanto, é impossível tolerar propostas demagógicas de pseudotécnicos não preparados para prever os múltiplos impactos sociais, econômicos e ecológicos de projetos teimosamente enfatizados.
Nesse sentido, bons projetos são todos aqueles que possam atender às expectativas de todas as classes sociais regionais, de modo equilibrado e justo, longe de favorecer apenas alguns especuladores contumazes. Nas discussões que ora se travam sobre a questão da transposição de águas do São Francisco para o setor norte do Nordeste Seco, existem alguns argumentos tão fantasiosos e mentirosos que merecem ser corrigidos em primeiro lugar. Referimo-nos ao fato de que a transposição das águas resolveria os grandes problemas sociais existentes na região semiárida do Brasil.
Trata-se de um argumento completamente infeliz lançado por alguém que sabe de antemão que os brasileiros extra-nordestinos desconhecem a realidade dos espaços físicos, sociais, ecológicos e políticos do grande Nordeste do País, onde se encontra a região semiárida mais povoada do mundo.
O Nordeste Seco, delimitado pelo espaço até onde se estendem as caatingas e os rios intermitentes, sazonários e exoreicos (que chegam ao mar), abrange um espaço fisiográfico socioambiental da ordem de 750.000 quilômetros quadrados, enquanto a área que pretensamente receberá grandes benefícios abrange dois projetos lineares que somam apenas alguns milhares de quilômetros nas bacias do rio Jaguaribe (Ceará) e Piranhas/Açu, no Rio Grande do Norte. Portanto, dizer que o projeto de transposição de águas do São Francisco para além Araripe vai resolver problemas do espaço total do semiárido brasileiro não passa de uma distorção falaciosa.
Um problema essencial na discussão das questões envolvidas no projeto de transposição de águas do São Francisco para os rios do Ceará e Rio Grande do Norte, diz respeito ao equilíbrio que deveria ser mantido entre as águas que seriam obrigatórias para as importantíssimas hidrelétricas já implantadas no médio/baixo vale do rio - Paulo Afonso, Itaparica e Xingó.
Devendo ser registrado que as barragens ali implantadas são fatos pontuais, mas a energia ali produzida, e transmitida para todo o Nordeste, constitui um tipo de planejamento da mais alta relevância para o espaço total da região.
Segue-se na ordem dos tratamentos exigidos pela ideia de transpor águas do São Francisco para além Araripe a questão essencial a ser feita para políticos, técnicos acoplados e demagogos: a quem vai servir a transposição das águas?
Os "vazanteiros" que fazem horticultura no leito dos rios que "cortam" - que perdem fluxo durante o ano - serão os primeiros a ser totalmente prejudicados. Mas os técnicos insensíveis dirão com enfado: "A cultura de vazante já era". Sem ao menos dar qualquer prioridade para a realocação dos heróis que abastecem as feiras dos sertões. A eles se deve conceder a prioridade maior em relação aos espaços irrigáveis que viessem a ser identificados e implantados. De imediato, porém, serão os fazendeiros pecuaristas da beira alta e colinas sertanejas que terão água disponível para o gado, nos cinco ou seis meses que os rios da região não correm.
Um projeto inteligente e viável sobre transposição de águas, captação e utilização de águas da estação chuvosa e multiplicação de poços ou cisternas tem que envolver obrigatoriamente conhecimento sobre a dinâmica climática regional do Nordeste. No caso de projetos de transposição de águas, há de ter consciência que o período de maior necessidade será aquele que os rios sertanejos intermitentes perdem correnteza por cinco a sete meses.
Trata-se, porém, do mesmo período que o rio São Francisco torna-se menos volumoso e mais esquálido. Entretanto, é nesta época do ano que haverá maior necessidade de reservas do mesmo para hidrelétricas regionais. A afoiteza com que se está pressionando o governo para se conceder grandes verbas para início das obras de transposição das águas do São Francisco terá consequências imediatas para os especuladores de todos os naipes.
O risco final é que, atravessando acidentes geográficos consideráveis, como a elevação da escarpa sul da Chapada do Araripe - com grande gasto de energia!-, a transposição acabe por significar apenas um canal tímido de água, de duvidosa validade econômica e interesse social, de grande custo, e que acabaria, sobretudo, por movimentar o mercado especulativo, da terra e da política.
No fim, tudo apareceria como o movimento geral de transformar todo o espaço em mercadoria.

Qui, 24 de Março de 2011 13:18

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O CEDASB PARABENIZA A TODOS TRABALHADORES E TODAS TRABALHADORAS RURAIS PELO SEU DIA!

Os adultos se emocionam ao lembrar os momentos difíceis que vivenciaram no passado e os jovens se entusiasmam com as possibilidades que se apresentam para que eles dêem continuidade ao trabalho desenvolvido por seus pais no campo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Por que o Semiárido é tratado como inviável?

Esse é o solo do semiárido! Muito produtivo.
Foto arquivo do CEDASB
O semiárido, quase sempre, é tratado como inviável, ou seja, como lugar que não serve para nada e seu povo como incapaz.  


Na  realidade,  nem  o  semiárido  é  inviável  nem  seu  povo  é  incapaz. O  que  ocorre  é  que durante muito tempo e, em muitos casos, ainda nos dias de hoje, as únicas políticas oficiais destinadas à região foram aquelas denominadas de “combate à seca”.
São políticas que estavam e estão voltadas para grandes obras, normalmente destinados a assistir aos mais ricos e que vinham unidas a processos     assistencialistas,  voltados para os mais pobres, como doações, esmolas, distribuição de víveres, carros-pipa e processos semelhantes. Estas políticas nunca  tiveram e não  têm  interesse de resolver as questões e
os problemas.   As ações de combate à seca sempre aparecem como  “atos de bondade”, mas  propositalmente  são  criadas  e mantidas  para  garantir  que  o  semiárido  e  seu  povo permaneçam sem vez e sem voz, dependentes. 
Como se sabe, essas políticas, normalmente são ligadas ao voto e mantêm no poder as mesmas pessoas e grupos oligárquicos, através da compra de votos.
Assim, através de  doações  e  políticas  assistencialistas  não  voltadas  para  resolver  os problemas do povo do semiarido, sempre foi mantida e favorecida a concentração da  terra nos  latifúndios,  nos  grandes  projetos  do  agronegócio,  nas  grandes  fazendas  de  gado. Enquanto isso, “muitos agricultores e agricultoras ainda trabalham em terras alheias ou em minifúndios  superexplorados,  fragilizando  sua  própria  segurança  alimentar”  (ASA,  Ceará, 2006).
De  igual  modo,  durante  muitos  anos  foram  construídos  muitos  poços  e  açudes  no semiárido, mas em terras dos ricos e dos fazendeiros. Por isso, em cada seca ocorrida, os ricos permaneciam mais ricos, possuidores e concentradores de mais água em suas terras - com  mais  terra  e  com  mais  poder.  E  os  mais  pobres,  ou  migravam  ou  ficavam  mais
miseráveis.  Há ainda outras ações que  intensificam os problemas do semiarido. É a educação que é dada  nas  escolas,  aos  filhos  e  filhas  dos  agricultores.  Quase  sempre  é  uma  educação descontextualizada, que coloca na cabeça das crianças a mentalidade de que na roça, na área rural e no semiárido não há possibilidade de vida. Pelo que se estuda, debate, lê e se faz  em muitas  escolas,  conclui-se  que  quem  quer  viver  bem  e  dignamente  não  deveria seguir a trilha e a história dos próprios pais e antepassados, mas sim, migrar do semiárido.
Permanecer no semiárido não seria uma ação inteligente, pois ali não há possibilidade de vida digna (BAPTISTA, 2005; MOURA, 2003; RESAB, 2006).
Toda essa problemática é perpassada, de modo cruel, por uma marginalização das mulheres e, por conseguinte, pela ausência de um debate de gênero. 
 (...)
Texto de:
Naidison de Quintella Baptista: Mestre  em  Teologia,  com  graduação  em  Filosofia,  Teologia  e  Educação.  Secretário  Executivo  do  Movimento  de Organização Comunitária (MOC), membro da Coordenação da ASA Bahia e da Coordenação Nacional da ASA.Presidente do CONSEA-Bahia e membro do CONSEA-Nacional  
Carlos Humberto Campos: Graduado em Sociologia, membro da Equipe Técnica da Cáritas Brasileira – Regional do Piauí e membro da Coordenação Nacional da ASA.